Mulheres de Areal quebrando o silêncio

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A Prefeitura Municipal de Areal e a Secretaria de Desenvolvimento Social, Cidadania e Habitação estão sensibilizadas com a violência contra a mulher e crianças. Em conversa com os profissionais da secretaria nos interamos que em Areal existem vários casos de violência contra mulheres e crianças, alertamos aos pais e mulheres a quebrarem o silêncio e denunciarem o abuso. Estiveram presentes o Vice Prefeito Celso Silvestre, os Vereadores Luiz da Papelaria e Itamar da Ambulância, a Diretora de Cultura Thais Carvalho,  o Coordenador de Esportes Cláudio Lourenço e toda a equipe da Secretaria de Desenvolvimento Social, Cidadania e Habitação. Parabéns a secretaria pela iniciativa através do CRAS e da passeata realizada no dia 22/08, que incentiva a denúncia contra esse tipo de abuso.

Acompanhe os relatos abaixo:

A paraense Carolina Moreira, 21, carrega um sorriso cativante no rosto e uma simpatia no coração. Quem a vê não imagina as tragédias que já viveu. Ela foi vítima de violência sexual de um familiar em sua própria casa aos 8 anos e de um desconhecido na rua aos 13. Contudo, somente dez anos depois conseguiu falar sobre o assunto. “Para mim, falar, significa refletir sobre o fato, aceitar que infelizmente aconteceu e superar”, confessa.

A grande questão que permeia a vida das vítimas após um crime como este é: como isso poderia não ter acontecido? Para Carolina, não foi diferente. Quase todos os dias depois de viver o horror, na sua mente sempre vêm as lembranças carregadas de perguntas sem respostas.  “É difícil questionarmos sobre a vida do abusador, sobre as causas que o levaram a fazer isso. Seriam fatores psicológicos? Questões culturais? Inconsequência? São tantas as razões”, indaga.

Tão comum quanto o estupro é o abuso sexual, em que muitas vezes não há conjunção carnal entre vítima e agressor. Neste ato, que costuma anteceder o estupro, milhares de crianças têm sua inocência roubada por homens que moram em sua própria casa. A universitária M. de A., que prefere não se identificar, conta que sofreu abuso sexual de um primo diversas vezes em seu quarto.

“A gente costumava brincar juntos quase todos os dias, e ele se aproveitava de mim. Tocava meu corpo e me deixava muito constrangida”, relembra. No entanto, como ele era seu primo e mais velho, achava que tinha que respeitar.  A “brincadeira” só acabava quando ele decidia que era hora de parar.

Em sua memória, M. recorda que isso aconteceu duas ou três vezes até que um dia ele ouviu o pai chegando e levantou correndo, ficando na sua frente para escondê-la. “Foi aí que entendi que havia alguma coisa errada. Se era só uma brincadeira, por que ele tinha que fazer aquilo escondido?”, questiona.

M. saiu dali correndo e criou coragem para contar tudo o que havia acontecido para sua mãe. Ironicamente, os pais de seu primo são policiais e, por isso, conhecem muitas leis e histórias sobre violência e abuso sexual. A estudante acredita que seus tios o repreenderam e que a conversa pode tê-lo ajudado a compreender o que fez.

A verdade é que M. levou anos para entender que aquilo havia sido um abuso sexual. Foi em 2015 que ela se deu conta de que, infelizmente, entrara para a lista de crianças abusadas sexualmente no Brasil. “Às vezes, alguém viveu ou vive uma situação de abuso e nem sabe, por isso, acho muito importante falarmos sobre o assunto”, conclui M.. Além disso, segundo especialistas, a mente humana tem a tendência de apagar da memória alguns traumas vividos. É por isso que algumas vítimas demoram anos para ter certeza do que aconteceu.

A exploração sexual também é um crime que passa desapercebido. Nascida em Salvador, a jovem L. O., que também prefere não se identificar, revela que diversas vezes recebia lanches de um idoso – e amigo da família – que em troca acariciava seus seios. Por nascer um uma família humilde, aceitava sem entender a gravidade da situação. Anos depois ela percebeu do que aquilo se tratava: abuso e exploração sexual.

Fonte: http://noticias.adventistas.org/pt/noticia/datas-especiais/vitimas-de-violencia-sexual-na-infancia-defendem-educacao-para-prevenir/